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Zona Aérea dos Açores, é sediada nas Lajes na Base Aérea 4 da Força Aérea Portuguesa (FAP) na freguesia das Lajes, município da Praia da Vitória, Ilha Terceira.

Antecedente Históricos Editar

Os Açores entraram para a história da aviação quando, em Maio de 1919, os três hidroaviões Curtiss Flyer da US Navy, de passagem entre os EUA e o Reino Unido no primeiro voo transatlântico, amararam no porto da Horta, para apoio logístico. Em 1926, iniciou-se a primeira linha aérea comercial dos EUA para a Europa, com trânsito pelos Açores. Neste mesmo ano se realizou a primeira ligação nacional Lisboa-Açores, por um hidroavião Fokker, oferecido à Aviação Portuguesa por açorianos residentes nos EUA.

A necessidade de criar nos Açores uma placa terrestre de apoio à navegação aérea que cruza o Atlântico Norte, toma particular acuidade após a queda na Ilha Graciosa, em 1928, de uma aeronave polaca. Incumbido pelo governo português para estudar a melhor localização de um aeroporto nas ilhas, o Tenente-coronel Cifka Duarte optou pela zona planáltica da Achada, na Terceira. E a 4 de outubro de 1930, um Avro batizado de Açor, pilotado pelo capitão Frederico de Melo, descolava pela primeira vez do novo Aeródromo da Achada. As más condições atmosféricas que frequentemente afetam a Achada, levaram o coronel Eduardo Silva a propor a construção de uma pista de terra batida nas Lajes, obra a que a engenharia militar deu início em 1934.

Com a vinda do Corpo Expedicionário para os Açores, em 1941, também chegaram às Lajes duas esquadrilhas de caça. E em Agosto de 1943, as Forças da Aeronáutica nos Açores passaram a ser constituídas pela Base Aérea 4, no Aeródromo de Santana, em São Miguel, e pela Base Aérea 5, no Aeródromo das Lajes, na Ilha Terceira.

No cenário da II Guerra Mundial, o Grupo 247 da RAF instalou-se nas Lajes, em 1943. Os EUA aqui igualmente posicionassem meios aéreos, primeiro a título de colaboração com as forças britânicas, depois ao abrigo de acordos celebrados diretamente com Portugal. A Base Militar de Santa Maria, construída pelos EUA ainda antes do Acordo das Lajes.

A situação político-militar subsequente ao fim da II Guerra Mundial e durante o período da Guerra Fria ditou o reforço da posição geoestratégica da Base das Lajes. Os Açores, particularmente as Lajes, passaram a estar na linha das movimentações militares nos principais conflitos internacionais desde então ocorridos – ponte aérea de Berlim, conflito árabe-israelita, Guerra do Golfo, invasão do Iraque, Guerra na Bósnia, invasão do Afeganistão, entre outros.

O controlo do Aeródromo das Lages, que fora exercido pela Royal Air Force (RAF), com a partida das forças britânicas, em 1946, regressou à Força Aérea Portuguesa. A original designação Base Aérea 4, pertencia ao Aeródromo de Apoio de Santana, Ilha de São Miguel. A sua designação foi transferida para a Base Aérea das Lajes, com extinção da Base Aérea 5 - Santana.

Em 1952, deu-se a autonomização da Força Aérea Portuguesa (FAP) como ramo independente das Forças Armadas. (Lei 2055, de 27 de maio de 1952) Em 1956, foi criada a Zona Aérea dos Açores, na dependência da 1.ª Região Aérea, com sede em Lisboa, ficando a Base Aérea 4 na sua dependência direta. (Decreto-Lei 40949, de 20 de dezembro de 1956)

Tem por importante missão a busca e salvamento, o transporte tático e o patrulhamento marítimo na área do arquipélago, com valor reforçado pela inativação do 57.ª Esquadrão Aéreo de Busca e Salvamento dos EUA, em finais de 1972. Em 1978, por força da reorganização territorial decorrente da independência dos territórios ultramarinos, foi extinta a Zona Aérea dos Açores, e criado por sua vez, o Comando Aéreo dos Açores, cujo comando acumula as funções de Comandante da Base Aérea 4. (Decreto-Lei 212/78, de 28 de julho) Das alterações introduzidas pela reorganização de 1993 da FAP nos Açores, resultou na extinção do Comando Aéreo dos Açores. (Decreto-Lei 51/93, de 26 de fevereiro)

Nova reestruturação da Força Aérea se processou em 1995, com particular incidência para as Regiões Autónomas, nomeadamente com a recriação da Zona Aérea dos Açores, agora diretamente subordinado ao Comando Operacional da Força Aérea (COFA).

Missão da ZAA Editar

Em síntese, a missão da ZAA é a seguinte:

  • planear, dirigir e controlar a prontidão dos sistemas de armas que lhe estão atribuídas e a atividade aérea na área da sua responsabilidade, para execução das diretivas e planos aprovados;
  • assegurar, nos termos que estiverem sido estabelecidos nos respetivos acordos internacionais, as relações com as forças estrangeiras estacionadas na unidade e instalações de apoio na sua dependência hierárquica.

Além das missões especificamente militares e considerando a descontinuidade territorial do arquipélago e a sua extensa Sub-zona Económica Exclusiva (ZEE-Açores), o CZAA desenvolve muito relevantes atividades nas áreas de Busca e Salvamento, evacuações urgente de doentes das ilhas mais isoladas, transportes aéreo de carga inter-ilhas e no apoio ao Serviço Regional de Proteção Civil (SRPCBA) em situações de catástrofe ou de calamidade pública.

A relevância dos serviços prestados pela Força Aérea Portuguesa (FAP) nos Açores, tornou-a muito merecedora da concessão à Base Aérea 4 - Lajes, da Medalha de Ouro de Serviços Distintos, atribuída, em 16 de julho de 1980, pelo Presidente da República, bem como do louvor e da medalha de ouro ao Grupo Operacional 41, em Maio de 1991, pelo Ministro da Defesa Nacional.

Saiba Mais Editar

Ligações Externas Editar