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Vila do Topo é uma freguesia açoriana do município de Calheta, Ilha de São Jorge. Têm uma superfíce total de 9,35 Km2 com 533 habitantes (Censos 2001), o que corresponde a uma densidade populacional de 57,0 hab./Km2. Foi elevada a categoria de Vila pelo Decreto Legislativo Regional 29/2003/A, de 24 de junho. Fundado pelo flamengo William Van der Hahgen. A freguesia do Topo é constituída pelos lugares: Vila do Topo, Ponta do Topo, São Pedro, Baleia, Canto do Norte, Barreiro e Engenho.

Teve o nome alternativo de N. Sra. do Rosário do Topo, o orago da paróquia. Entre 1510 e 1867 a Vila do Topo foi sede do município do Topo, agrupando a atual vila e a vizinha freguesia de Santo Antão, então um mero curato. A vila foi devastada pelo Mandado de Deus, um terramoto ocorrido a 9 de julho de 1757, sendo de novo duramente atingida pelo Sismo de 1 de janeiro de 1980.

Conserva uma arquitetura distinta, fortemente influenciada pela cidade de Angra do Heroísmo, Ilha Terceira, com a qual manteve durante séculos relações privilegiadas através do seu cais, a Vila do Topo dispõe hoje de uma moderna Escola Básica Integrada, instalada na cerca do antigo Convento Franciscano de São Diogo, sendo um dos mais importantes pólos de desenvolvimento da ilha. A riqueza das pastagens da falda leste da Serra do Topo [ Complexo Vulcânico do Topo ] fez da Vila do Topo e da freguesia vizinha de Santo Antão uma das principais origens do leite que fabrica o famoso Queijo de São Jorge e o Queijo do Topo.

Geografia Editar

A Vila do Topo situa-se no extremo sueste da Ilha de São Jorge, numa zona aplainada, de declive suave que iniciando-se na Ponta do Topo, onde se situa o Farol do Topo, se prolonga até à freguesia de Santo Antão, anteriormente um arrabalde da Vila. É uma região de terrenos férteis, propícios para a produção de trigo (aliás a zona do Topo é a única nos Açores onde este cereal ainda se cultiva), separada das restantes povoações da ilha pela alta e escarpada Serra do Topo, onde se destaca o Pico do Facho, o Pico das Rocas, o Pico dos Frades, o Pico da Pedra Vermelha.

Este enquadramento geográfico fez com que fosse mais fácil sair da vila por mar do que por atravessar a serra, o que deu uma particular importância ao cais do Topo. Isso permitiu um acesso privilegiado à Ilha Terceira e influiu no desenvolvimento do Topo. Permitiu ligações familiares e comerciais com a vizinha Ilha Terceira que depois se refletiram no falar, na arquitetura e mesmo nos patronímicos das famílias locais.

Sua História Editar

A fundação da sede da freguesia terá ocorrido entre 1480 e 1490, altura em que se estabeleceu uma colónia liderada pelo nobre flamengo Willhem van der Hahgen. Diz-se erradamente que foi sepultado na arruinada ermida de Nossa Senhora da Ajuda (antes de São Lázaro) anexa ao Solar dos Tiagos, um magnífico imóvel oitocentista classificado como de interesse público. Erradamente porque esta Ermida foi mandada construir por um seu genro, o Escudeiro João Pires de Matos, já depois do falecimento de Van der Haagen.

A primitiva Igreja de N. Sra. do Rosário era do Século XVI, mas foi destruída pelo sismo de 9 de julho de 1757, o famigerado Mandado de Deus, e reconstruída sob a direção do Pe. Matias Pereira de Sousa. As obras foram dirigidas José de Avelar de Melo e concluídas em 1761. No seu adro foram sepultadas, em duas valas comuns, 84 vítimas do Mandado de Deus.

Dada a proximidade relativa em relação à ilha Terceira e a grande dificuldade de ligação à vizinha vila da Calheta, a vila esteve sempre muito ligada à ilha cidade de Angra, sendo muito frequentes os casamentos entre pessoas oriundas de ambas as povoações. Esta proximidade está patente na arquitetura e no falar, mais próximo do terceirense do que das restantes comunidades jorgenses.

Pelo seu desenvolvimento foi elevada a vila em 12 de setembro de 1510. Contudo, o seu desenvolvimento era limitado pela falta de terras que lhe permitisse expansão económica. Até meados do Século XX, a Vila do Topo não tinha ligação adequada ao resto da ilha, dada a dificuldade em transpor a Serra do Topo por terra.

Com a reorganização administrativa de 24 de outubro de 1855, o município foi extinto e anexado ao município da Calheta, que se veio a consumar a 1 de abril de 1870, depois de se ter tornado efetiva, embora sob os protestos populares, em 1867.

Talvez a grande (para a época) ultima obra da Camara Municipal de Vila Nova do Topo tenha sido a construção do primeiro chafariz da Ilha de São Jorge, em 1864, no lugar da Fonte Velha.

O antigo município do Topo, hoje integrado no município da Calheta, abrangia o território das atuais freguesias de Vila do Topo e de Santo Antão, que foi desmembrado daquela por decreto de 6 de junho de 1889.

Apesar de extinto o município e perdido o título de vila, o Topo manteve sempre uma feição urbana distinta, com as suas ruas bem traçadas. Ladeadas por casas de arquitetura erudita que não tinham paralelo em qualquer povoação rural do arquipélago. Pelo Decreto Legislativo Regional 29/2003/A, de 24 de junho, Topo recuperou a categoria de vila, sendo oficialmente designada por Vila do Topo.

A vila foi de novo destruída pelo Sismo 1980, em consequência do qual ficou profundamente alterada a sua estrutura e arquitectura, tendo levado a uma grande perda de população. Aquando daquele sismo, foi a localidade da ilha mais atingida, registando, para além de avultados prejuízos, 11 mortos e 9 desaparecidos, soterrados sob milhares de toneladas de pedra resultantes do desabamento de falésias na costa norte.

De cerca de 2 000 habitantes, a população caiu para apenas cerca de 500 residentes permanentes, num processo de acelerada perda demográfica que ainda não terminou.

A decisão, tomada em 1997, de transformar o antigo Convento Franciscano de São Diogo numa Escola Básica Integrada, permitindo a conclusão do ensino básico na Vila, veio fixar a população. Com esse objetivo, o Topo dispõe desde 2003 de um moderno e arquitetonicamente arrojado edifício escolar.

O porto do Topo desempenhou até meados do Século XX um importante papel referencial nas ligações marítimas entre as ilhas de São Jorge e Terceira, dada a sua particular localização geográfica. Apesar de no local o acesso ao mar ser difícil, dada a elevada falésia de bagacina existente, foi rasgada na rocha, à força de picareta, uma escadaria que dava acesso ao chamado Cais Velho. Esta escadaria foi melhorada, por sucessivas remodelações, nomeadamente nos anos de 1560 e 1637.

A importância do Porto no acesso à Terceira era tal que em 1877, já depois da anexação do município, a Câmara da Calheta, em reunião de 6 de junho, deliberou colocar um farol no porto da Vila do Topo, que foi o primeiro da ilha.

Com o surgir da baleação em meados do Século XIX, o porto do Topo foi o primeiro da ilha onde se armaram botes baleeiros para a Caça a Baleia, tendo a primeira companha sido fundada no ano de 1885. As canoas eram guardadas em furnas escavadas na escarpa sobranceira ao porto e algumas foram preservadas pelas derrocadas da mesma escarpa. Até aos anos de 1970, o cais foi foi um ponto de escala dos barcos que faziam a carreira regular de passageiros entre o Faial e a Terceira, embarcando ali carga e passageiros.

Um dos filhos mais ilustres da Vila do Topo foi o Bispo D. Manuel Bernardo de Sousa Enes, titular da Diocese de Macau.

Monumentos, Museus e Jardins Editar

Apesar de duramente atingida pelo Sismo de 1 de janeiro de 1980, a Vila do Topo mantém um conjunto de estruturas urbanísticas e de edifícios de grande beleza e equilíbrio.

  • Forte do Topo
  • Farol da Ponta do Topo e o fronteiro Ilhéu do Topo
  • Convento Franciscano de São Diogo (hoje sede da Escola BI da Vila do Topo) e igreja anexa
  • Igreja de N. Sra. do Rosário (Matriz), reconstruída em 1761, memória da grande catástrofe do Mandado de Deus
  • Edifícios da antiga Casa da Câmara e a rua principal
  • Solar dos Tiagos e ermida anexa, local do sepultamento de Willem van der Hahgen
  • Império da Irmandade do Divino Espírito Santo, ao estilo terceirense
  • Porto do Topo, escavado na encosta de bagacina vermelha, local de grande beleza

Saiba Mais Editar

Ligações Externas Editar