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A Luz é uma freguesia açoriana do município de Santa Cruz da Graciosa, Ilha Graciosa. Tem uma superfíce total de 11,85 km² e 735 habitantes (Censos 2001), o que corresponde a uma densidade populacional de 62,0 hab./km².

A freguesia ocupa o extremo sudoeste da ilha, estendendo-se pelo vale entre a Serra Dormida e o Maciço da Caldeira e pela costa sul da ilha desde a Ponta Branca (no extremo da Serra Branca) para além da Ponta do Carapacho até à Ponta do Engrade. Pertence a esta freguesia, o lugar do Carapacho, conhecido pela sua estância termal e balnear. Sobre a escarpa sobranceira ao Carapacho, funciona desde 26 de Maio de 1956, o Farol do Carapacho.

Sua História Editar

A freguesia da Luz está instalada ao longo do vale que pelo noroeste separa o Maciço da Caldeira do resto da ilha Graciosa. Aquele mesmo vale é percorrido por uma poderosa escoada de lavas basálticas recentes, originadas pelas erupções do Pico Timão, que produziram um solo de biscoito muito rochoso, na realidade um rególito grosseiro, pouco próprio para a agricultura.

Em consequência, a área foi ocupada relativamente tarde na história da colonização da ilha, com excepção do litoral junto ao Carapacho, região onde se terão instalado os primeiros colonos e terá mesmo existido a primitiva casa da alfândega, apenas para se mudarem mais tarde para os mais férteis plainos do nordeste e centro da ilha. O crescimento da população foi lento, apenas ganhando fôlego quando a zona de biscoito foi plantada de vinhedos e quando o vinho e a aguardente se valorizaram como produto de exportação da ilha, a par da cevada e do trigo, nos séculos XVIII e XIX.

A relativa pobreza dos solos foi em parte compensada pelo recurso à pesca, aproveitando-se o litoral da freguesia, virado a sul e relativamente abrigado, onde desde cedo o Porto da Folga se afirmou como um dos principais centros pesqueiros da ilha.

Inicialmente constituída como um curato da Vila da Praia, a cujo município pertencia, a paróquia de N. Sra. da Luz foi criada em 1601, por iniciativa do Bispo de Angra, D. Jerónimo Teixeira Cabral, por desagregação da parte sul do antigo município da Vila da Praia, a que pertenceu até à sua extinção em 1867, e sua autonomização em relação à freguesia de São Mateus, de cuja paróquia até ali dependera.

Carapacho é servido pela Ermida de N. Sra. de Lurdes, construída em 1896, então já por iniciativa dos forasteiros, principalmente oriundos da Ilha Terceira que estanciavam a banhos na localidade.

Folga, um pequeno povoado piscatório e de viticultura que até ao surgimento das modernas instalações portuárias da Vila da Praia, foi o principal porto de pesca da ilha. O Porto da Folga foi muito utilizado como porto alternativo para carga e passageiros quando o estado do mar impedia a utilização do Porto da Praia e dos portos de Santa Cruz, muito expostos a norte. Devido a sua importância portuária no Século XIX levou à construção de um ramal da antiga estrada real até à Folga.

A atual igreja paroquial de N. Sra. da Luz foi benzida a 6 de Janeiro de 1738, tendo sido construída para substituir a primitiva igreja, de inícios do Século XVII, que fora destruída pela crise sísmica de 1717 e pelo sismo de 13 de Junho de 1730. Sendo aquela zona da ilha sujeita a sismicidade violenta, a igreja foi por diversas vezes reparada, a última da quais depois do Sismo de 1 de Janeiro de 1980, que afectou severamente a freguesia.

O desenvolvimento da freguesia, devido à sua dependência em relação à vinha, sofreu muito com o aparecimento em meados do Século XIX do Oidio e depois da Filoxera. A destruição das vinhas que se seguiu, ainda patente nos restos abandonados e hoje cobertos de mato das curraletas onde foi cultivada, levou a um enorme surto de pobreza na freguesia, onde a fome chegou a matar pessoas, e ao êxodo, primeiro para a Ilha Terceira, e depois, para o Brasil e EUA.

A freguesia sofreu diversas crises sísmicas ao longo da sua história e foi fortemente atingida pelo Sismo de 1 Janeiro de 1980, sismo que provocou a destruição de boa parte do seu parque habitacional, em particular nos lugares do Carapacho e da Folga.

Apesar da destruição causada pelo Sismo de 1980, a freguesia mantém casas de arquitectura típica, marcada pelas janelas de guilhotina de dois panos e portas com uma barra decorativa, muitas vezes encimada por um rebordo com uma decoração superior triangular ou ondeada, e pelas enormes chaminés de mãos-postas, no modelo típico da Graciosa, com uma das paredes direitas, janela lateral sobre o lar e abertura rectangular encimada por telha.

Economia Editar

Com uma população em extremo envelhecida, a freguesia da Luz é ainda essencialmente uma freguesia dedicada à agricultura, hoje quase reduzida à a gado bovino e à produção de pastagens e milheirais para consumo animal.

A produção de vinho é residual, já que hoje quase toda a produção vitínicola se centra nas zonas aplanadas do norte da ilha. Ainda assim a freguesia mantém alguma produção de vinho de cheiro, da casta Isabella, algum do qual é transformado em aguardente.

A pesca continua a ter uma importância relativa, embora a utilização do Porto da Folga tenha vindo a decair rapidamente face à oferta de modernas instalações portuárias no Porto da Praia.

A criação de um hotel junto às Termas do Carapacho e o esperado crescimento da atividade turística face aos investimentos em curso naquele estabelecimento, que incluiu a feitura de um novo furo para captação de águas termais, parece indiciar que o futuro da freguesia passa pelo geo-turismo, turismo cultural turismo termal.

As águas termais do Carapacho, que eram conhecidas por águas novas brotavam naturalmente por uma fenda da rocha abaixo do nível da preia-mar, na base da alta falésia da Restinga, frente ao Ilhéu das Gaivotas. A sua localização fazia com que fossem apenas acessíveis na maré baixa, tendo despertado algum interesse logo aquando da colonização, sendo citadas pelo historiador António Cordeiro, mas caindo em esquecimento.

O crescimento do interesse pelo termalismo, particularmente a partir da década de 1750, e o surgimento da hidrologia médica nos princípios do Século XIX levaram à redescoberta das águas. A partir da década de 1810, passou a ser utilizada regularmente, tendo-se feito no local uma escavação, abrindo-se a fenda por onde a água jorrava e criando-se uma barreira para impedir a entrada da água do mar na maré cheia. A estrutura então criada está agora debaixo do edifício das termas, sendo acessível por uma escada interna.

Depois de muitas dificuldades, causadas pela falta de recursos da Câmara Municipal da Vila da Praia, proprietária do local, e depois da sua sucessora a Câmara Municipal de Santa Cruz, o local foi entregue à ex-Junta Geral do Distrito Autónomo de Angra do Heroísmo, que ali mandou construir o atual edifício termal. O imóvel inicial foi construído entre 1947 e 1951, mantendo-se sempre em funcionamento as antigas termas. Hoje sob a tutela governamental, as termas contam com médico reumatologista durante o Verão, tendo tido um importante ressurgimento nos últimos anos.

A freguesia tem uma Casa do Povo, fundada na década de 1960, e uma banda filarmónica, a Filarmónica União Popular Luzense, fundada a 27 de Março de 1938.

A baixa fertilidade dos solos de biscoito da freguesia, levaram a que o seu povoamento fosse lento, apenas ganhando expressão com a expansão do cultivo da vinha, particularmente a partir de 1776, quando os vinhos, licores e aguardentes açorianos passaram a poder ser livremente exportados para o Brasil e paras a colónias portuguesas de África e Ásia. A população cresceu então substancialmente e datam dessa época as melhores casas da freguesia.

A dependência socio-económica da cultura da vinha viria a revelar-se fatal com a grande crise do oídio e da filoxera, causando a penúria na freguesia, levando à fome muitas famílias e provocando a saída de muitos luzenses para outras ilhas e para fora dos Açores. A partir daí, a população estabilizou, embora a freguesia fosse conhecida pela sua pobreza, para apenas declinar rapidamente na segunda metade do Século XX, resultado da pobreza que se mantinha sem perspetivas de abrandamento e da consequente emigração para os EUA.

A construção do Aeroporto da Graciosa e do porto comercial na Vila da Praia, são fundamentais para o seu desenvolvimento.

Saiba Mais Editar

Ligações Externas Editar