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Guadalupe é uma freguesia do município de Santa Cruz da Graciosa, Ilha Graciosa. Têm uma superfície de 20,55 km2 e 306 habitantes (Censos 2001), o que corresponde a uma densidade populacional de 63,6 hab./km². A freguesia ocupa a região central e noroeste da ilha, correspondente aos solos mais férteis e aplanados, razão pela qual foi durante o seu principal centro de produção cerealífera e hortícola.

Sua História Editar

Povoada desde dos primeiros anos do Século XVI a partir da vila de Santa Cruz da Graciosa, que dista apenas 4 km. O nome da sede da freguesia, tem origem numa ermida construída nas proximidades da atual igreja em meados do Século XVI para albergar uma imagem trazida do México por Domingos Pires da Covilhã, um dos primeiros povoadores do lugar. A partir de 1550, a população cresceu ao ponto de fazer da freguesia a mais populosa da ilha, para apenas declinar na segunda metade do Século XX, resultado da pobreza que se instalara e da consequente emigração para os EUA. A freguesia foi criada em 1602, com a invocação de N. Sra. de Guadalupe, autonomizando-se da freguesia de Santa Cruz da Graciosa, em 1644.

Os alicerces da atual igreja foram abertos a 15 de Maio de 1713, sendo a primeira pedra benzida a 22 de Maio daquele ano. Contudo, a igreja levou 43 anos a construir, já que a primeira missa apenas foi nela celebrada a 5 de Agosto de 1756. Esta inusitada demora se deveu à grande crise sísmica de 1717, que provocou a destruição generalizada na freguesia e na freguesia de N. Sra. da Luz.

A crise sísmica de 1717 deu origem a um voto popular, ainda hoje cumprido no dia 24 de Maio de cada ano, de realizar uma procissão - denominada a Procissão dos Abalos, com a imagem de N. Sra. de Guadalupe entre a respetiva igreja e a Ermida de N. Sra. da Ajuda, no monte sobranceiro à vila de Santa Cruz, onde é celebrada missa, regressando depois o cortejo à Igreja de N. Sra. de Guadalupe. Esse voto deu origem a um feriado local, já que toda a ilha para na manhã do dia da procissão, que depois do Sismo de 1 de Janeiro de 1980 voltou a ganhar grande fervor popular.

A riqueza dos terrenos fez que a freguesia de Guadalupe torna-se no centro de produção cerealífera da ilha, com os terrenos a serem adquiridos pelas principais famílias de Santa Cruz. Em meados do Século XIX, teve uma população residente que ultrapassou os 3000 habitantes, foi durante a maior parte da história da Graciosa a mais populosa freguesia da ilha, ultrapassando até mesmo as duas vilas.

N. Sra. da Vitória, povoado no extremo noroeste da ilha, entre os cones vulcânicos do Pico das Bichas e do Pico da Brasileira. Nele situa-se a Ermida de N. Sra. da Vitória, construída em comemoração de uma vitória dos graciosences após um desembarque de piratas da Barbária, a 19 de Maio de 1623 no cais de Porto Afonso. A Igreja de Santo António da Vitória, foi construída entre 1904 e 1907 com a contribuição da comunidade emigrada no Brasil e na América do Norte. Existem dois impérios para o Culto do Divino Espírito Santo, o Império da Beira-Mar (1918) e o Império de Santo António (1914). Junto à igreja está um antigo dragoeiro, provavelmente uma das árvores mais antigas da ilha. O lugar de Terra do Conde, é celebre pelo vinho homónimo.

Teve até recentemente duas escolas primárias, ambas ofertas de graciosences que fizeram fortuna no Brasil, de finais do Século XIX. Manuel José do Conde, o 1.º Visconde do Rosário, que ofereceu o edifício para a Escola Masculina, no Caminho de Santo António, que ainda ostenta na sua fachada o seu brasão. João Inácio Pacheco Leal, que ofereceu o edifício para a Escola Feminina, no Caminho da Vitória.

No lugar da Brasileira, despenhou-se a 13 de Julho de 1929 o avião Amiot 123 "Marszałek Piłsudski", pilotado pelo major aviador polaco Ludwik Idzikowski, que faleceu no local. O avião perdeu-se durante uma das primeiras tentativas de atravessar o Atlântico de leste para oeste, partindo da França com destino a Nova Iorque. O local é assinalado por um cruzeiro. No lugar do Tanque, existe um interessante reservatório de água, com origens setecentistas, rodeado por um complexo de pias de lavagem de roupa, reflexo das graves dificuldades de abastecimento de água que se sentiram na ilha.

Saiba Mais Editar

Ligações Externas Editar