Raça Bovina do Ramo Grande é uma raça autótone dos Açores com origem na zona nordeste da Ilha Terceira. Os bovinos são criados em pastoreio livre nas pastagens dos Açores. A raça deriva o nome da planície do Ramo Grande, município da Praia da Vitória, zona onde é mais numerosa e de onde são provenientes os melhores exemplares e é por isso considerada o solar da raça. Todavia este tipo de bovino estendeu-se praticamente a todo o arquipélago.

Origem e Sua história[editar | editar código-fonte]

A Raça do Ramo Grande tem origem nos bovinos trazidos pelos primeiros povoadores da Ilha Terceira, a partir de 1450. Oriundos maioritariamente de Portugal Continental, fizeram-se acompanhar de raças bovinas Alentejana, Minhota e Mirandesa. Com o decorrer do tempo e o fator insularidade, determinaram o aparecimento de uma nova raça com caraterísticas particulares.

Os bovinos do Ramo Grande eram utilizado essencialmente na lavoura e na tração de carga, embora fosse também explorado para a produção de carne e de leite. Isto é, possuida uma tripla aptidão. Hoje em dia, no geral, estão mais orientados para a produção de carne. Até ao início dos anos de 1970, era a raça dominante na bovinocultura. Com a mecanização dos trabalhos agrícolas, este gado foi perdendo seu lugar de destaque na lavoura. Contudo, alguns criadores ainda os usam na lavoura. Também tem participações habituais em desfiles etnográficos e em feiras agrícolas. A opção pelo setor laticínios pela introdução de outras raças leiteiras e raças de carne, contribuíram para que a raça encontra-se quase em vias de extinção. Desde o primeiro levantamento demográfico efetuado em 1996, eram apenas 217 bovinos inscritos no Registo Zootécnico. Em 2009, já são 1.458 exemplares inscritos no Livro Genealógico e distribuídos por seis ilhas dos Açores (São Miguel, Terceira, Graciosa, São Jorge, Pico e Faial).

Com o objetivo de preservar esta raça, após ter sido definido o respetivo padrão, foi criado em 1996, o seu Registo Zootécnico. Com a classificação de raça autótone, houve um ressurgir dum renovado interesse pela preservação deste património genético açoriano. Em 12 de junho de 2009, foi constituída a Associação de Criadores Bovinos da Raça do Ramo Grande, por ocasião da Feira Agrícola Açores 2009, realizada na Ilha do Faial.

Padrão da raça[editar | editar código-fonte]

Em termos técnicos, os bovinos Ramo Grande apresentam uma cabeça bem desenvolvida, marrafa pouco farta e assente numa protuberância frontal pouco saliente, de perfil frontal convexo. As aberturas naturais são predominantemente almaradas e as órbitas com coloração clara. Os cornos são opistóceros, saem para trás, para os lados, voltando para a frente e com pontas viradas para cima O tronco, no seu conjunto, chama-nos a atenção pelo desenvolvimento mais acentuado no terço anterior em relação ao posterior, ligados entre si por um costado pouco alto e pouco arqueado. Os membros, de boas articulações, terminam em unhas afogueadas e resistentes. A cor da pelagem é o vermelho mais ou menos intenso, simples, ou, raras vezes, malhado em determinadas zonas específicas. Possui uma elevada longevidade, docilidade e bem adaptada ás pastagens dos Açores. A sua carne é muito boa, embora mais ácida do que as outras. É um dos produto de excelência dos Açores. (Fonte: Dr. Ana Luísa Pavão, Secretária Técnica da Raça Bovina Ramo Grande; IAMA - Instituto de Alimentação e Mercados Agrícolas)

Saiba Mais[editar | editar código-fonte]

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]

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