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Almagreira é uma freguesia açoriana do município da Vila do Porto, com uma superficie de 10,58 km2 e 537 habitantes (Censos 2001), o que compreende uma densidade populacional de 50,8 hab./km2. Integra os lugares de Bom Despacho Velho, Almagreira do Nascente, Almagreira do Poente, Termo da Igreja, Brejos de Cima, Brejos de Baixo, Carreira, Ribeira das Covas, Fonte do Mourato e Praia Formosa.

Sua História Editar

O curato de Almagreira foi separado da freguesia da Vila do Porto (N. Sra. de Assunção), por decreto de 25 de Outubro de 1906, passando a formar uma paróquia independente.

Canarias (vapor) Ermida de N. Sra. dos Remédios (Almagreira) Ermida de Santa Rita (Almagreira) Ermida de N. Sra. do Monte (Almagreira) Ermida de de N. Sra. da Graça (Almagreira) Igreja de N. Sra. do Bom Despacho (Almagreira)

Reserva Natural da Baía da Praia Formosa

Ruínas do Forte de São João Batista, na Praia Formosa (Século XVII). António Cordeiro, no início do Século XVIII, ao descrever as fortificações da ilha, refere-se ao Forte da Praia:

"A defesa desta vila, e de toda a ilha, era de antes pouca, sendo que tem uma légua de portos por onde podia ser entrada, e o foi então três vezes, de mouros, ingleses, e franceses; mas depois se lhe fizeram no castelo da praia dois fortes com quatorze peças, e adiante um forte com algumas; na vila dois fortes com sua artilharia; o que tudo não só manda o Governador, e Capitão-do-donatário, ... mas imediatamente um Capitão-de-Artilharia com trinta artilheiros, além do Capitão-Mor, oficiais, e gente da ordenança; que quando pelas mais partes da ilha, he por natureza inconquistavel, havendo alguém que das rochas só com pedras a defenda." (História Insulana, Lisboa, 1717, pág. 106)

Atualmente o forte encontra-se em ruínas, em precário estado de conservação. Existe um projeto para a sua consolidação, recuperação e requalificação.. (O Baluarte de Santa Maria, Setembro de 2007, pág. 11)

Naufrágio do navio Canárias Editar

Canárias foi um navio a vapor espanhol que a 13 de Novembro de 1871, naufragou na Baía da Praia. Pertencente à Companhia Transatlantica Espanhola, fora construído em 1861, deslocava 1.436 toneladas, com um motor a vapor de 400 hp, com acomodações para 600 passageiros, em duas classes.

No contexto da tentativa de independência de Cuba, a chamada "Grande Guerra" (1868-1878), a embarcação retornava do porto de Havana para o porto de Cadiz, na Espanha. Nessa viagem, retornava com 98 tripulantes e 19 passageiros. Na altura dos Açores, as más condições meteorológicas, reflectiram-se no aspecto do mar, sendo o vapor empurrado de encontro à costa da ilha naquele trecho do litoral.

À época foi noticiado que o vapor "Encalhou (…), por causa de muita agua que fazia. Poucos dias depois rebentou-lhe fogo a bordo", ao que se comentou "lançado pelo próprio capitão" (O Fayalense, ano 15, n.º 19, 1871.).

Ainda de acordo com os periódicos, quando a embarcação encalhou, o seu comandante ordenou que fossem retirados de bordo alguns mantimentos, bagagens e pratas. Apenas seis dias mais tarde, "foi o capitão a bordo e ordenou a 3 homens da sua tripulação que aprontassem no porão coisas para irem para terra, dirigiu-se à câmara, e quando de lá saiu para desembarcar deixou ficar os ditos homens empregados no mesmo serviço."

Por volta das sete horas da noite, os homens notaram que da câmara encontrava-se em chamas. Cientes de que a bordo havia grande porção de pólvora, tocaram a rebate nos sinos, mas o Capitão, em terra, não fez caso disso.

Já escuro, os marinheiros utilizaram a lancha do navio para abandoná-lo. Ainda de acordo com o relato da imprensa, o capitão "mandou colocar um farol na rocha, para cuja luz os marinheiros se dirigiram. Era exatamente no ponto mais perigoso; e como o mar estava embravecido, a lancha revirou, e apenas se salvaram, por milagre dois homens." Três horas depois ouviu-se uma grande explosão do paiol do vapor, sentida em toda a ilha, "produzindo uma espécie de aurora boreal com fogos de cores, porque as bebidas alcoólicas o produziam nos ares."

Era opinião geral que o incêndio foi ateado pelo capitão, que adicionalmente pretendeu eliminar os marinheiros, para não serem testemunhas do seu atentado. O capitão recusou todas as ajudas por parte das autoridades, alegando que o vapor pertencia a uma companhia da qual ele era um dos maiores accionistas e seu representante. E finalizou: "Muitos objetos deixou de propósito perder, pois tivera tempo em 6 dias de salvar tudo. ... O vapor era transporte de tropas, e na sua ultima viagem, levou mais de mil praças para Cuba."

Atualmente, o esqueleto de aço do navio Canárias jaz, ainda visível, a 50 metros da praia, em fundo arenoso. A área integra a Reserva Natural da Baía da Praia.